Levi Nauter
Tive a sorte de, desde a graduação, ter tido bons professores. Bons porque
me incentivaram à pesquisa. Não há ensino sem pesquisa, estou convencido[i].
Na graduação fui bolsista de pesquisa em Teoria Literária, meu gosto por
Umberto Eco e Ítalo Calvino[ii]
vem dessa época. Ter-me iniciado na pesquisa tornou-me um leitor voraz, porém
não um leitor rápido, daqueles que leem um livro numa tarde. Não deveria,
entretanto é uma raridade um professor da escola formal que, passado tempos de
sua formação, continue leitor e, pior ainda, pesquisador. Estou me referindo,
logicamente, ao ambiente em que estou inserido, a saber, a escola pública (há
17 anos).
Mas a pós-graduação, especialmente a stricto
sensu, possui uma exigência interessante: que arranjemos um grupo de
pesquisa ao qual se vincular. Normalmente ele estará ligado ao mesmo grupo de
quem nosso orientador fizer parte. Contudo, nada impede que pertençamos a um
outro grupo.
É necessário compreender a importância de se inserir em um grupo de pesquisa.
É no grupo que temos o encontro e a possibilidade de partilhas. Nele é que
podemos nos enfocar em temas específicos e, assim, não ficarmos ‘atirando’ pra
todos os lados. Com os demais participantes de um grupo aprendemos a estudar e
a aprofundar temas bem específicos. Entre eles poderemos estabelecer parcerias
para estudos, parcerias de escrita e, quiçá, de outros tipos.
Quando da minha entrada no mestrado, por força (e sem forçação) do meu
orientador, passei a fazer parte do grupo de pesquisa Mediações pedagógicas e cidadania – formado por bolsistas de
iniciação científica, por mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos (a UNISINOS
possui pós-doutoramento em educação com aprovação do MEC). Nele estou até hoje,
nalguns momentos com bastante atividades, noutros nem tanto. Nesse grupo aprendi
sobre a pesquisa bibliográfica, sobre produção de artigos, sobre editais de
fomento à pesquisa, sobre a importância de uma agenda de produção acadêmica,
sobre o processo de escrita científica e, sobretudo, a importância de todos
estarem juntos, independentemente do título. Aliás, nunca o título ou o diploma
deve estar em jogo. Títulos e textos jamais provam alguma coisa. Os atos é que
corroboram nossos discursos. Foi a partir dessa minha vinculação que pude
participar do tradicional Fórum de Estudos Leituras de Paulo Freire, evento
itinerante e gaúcho[iii];
também participei do Colóqui Internacional Paulo Freire, que ocorre em
Recife/PE. E, mais importante aos pós-graduandos em educação, participei da
ANPED-Sul, em Florianópolis. Além, disso visitei outras cidades como uma
espécie de auxiliar de pesquisa de meu orientador. Os aprendizados têm sido
enormes.
Recentemente outro grupo de pesquisa, fruto de conversas entre amigos de
faculdade, começou a ter contornos reais. Trata-se do Coletivo de Educação Popular e Pçedagogia Social – CEPOPES –
coordenado pela professora Dra. Karine Santos, ex-orientanda do professor
Danilo Streck. Dele, com muito orgulho, faço parte. Nele, também com bastante
orgulho, aprendo muito. Sobre ele, sem menos orgulho, tenho sonhos. Como o nome
deixa transparecer, a ideia é mesclar estudos do campo da educação popular com
os do campo social. Daqui a pouco, espero e torço, começaremos a notar o
surgimento de produções a partir dele.
Se você não está atrelado a um grupo de pesquisa e entende que não é
possível ser professor sem pesquisar[iv],
apresse-se. Todavia, tenha pressa não porque a academia assim o exige, senão
por ser um momento de grandes aprendizagens. Tenha pressa porque quem ganha com
a pesquisa é a humanidade. Tenha pressa porque aprender nos remoça e nos
embeleza.
Pesquisemos.
[i]
Em linhas gerais essa é a defesa que faz Pedro Demo em suas obras quando trata
do professor como pesquisador. Segundo esse autor, quando o professor não faz
pesquisa só pode dar aula; se pesquisa compartilha conhecimento.
[ii] Recomendo
efusivamente esses dois autores – tanto como teóricos quanto como escritores de
ficção. Mas particularmente recomento: do Umberto Eco o maravilhoso Seis passeios pelos bosques da ficção;
do Ítalo Calvino, Seis propostas para o
próximo milênio – ambas as obras publicadas pela Cia. das Letras.
[iii] Se
bem que neste ano, 2016, nos mesmos moldes ocorrerá um evento no estado do
Amazonas, sob coordenação da Universidade Estadual do Amazonas.
[iv] Ser professor é ser pesquisador, de
Fernando Becker e Tania B. I. Marques e publicado pela Mediação é uma boa dica
para se iniciar no tema (sabendo-se que a obra trata da teoria piagetiana).