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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

POESIA


[sobre livros]


“Os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil

(...) ou – o que é muito pior – por odiarmo-los podemos simplesmente escrever um”


CAETANO VELOSO,
na música Livro, do cd homônimo de 1997.



domingo, 28 de fevereiro de 2016

GRUPOS DE PESQUISA: arranje um


Levi Nauter


Tive a sorte de, desde a graduação, ter tido bons professores. Bons porque me incentivaram à pesquisa. Não há ensino sem pesquisa, estou convencido[i]. Na graduação fui bolsista de pesquisa em Teoria Literária, meu gosto por Umberto Eco e Ítalo Calvino[ii] vem dessa época. Ter-me iniciado na pesquisa tornou-me um leitor voraz, porém não um leitor rápido, daqueles que leem um livro numa tarde. Não deveria, entretanto é uma raridade um professor da escola formal que, passado tempos de sua formação, continue leitor e, pior ainda, pesquisador. Estou me referindo, logicamente, ao ambiente em que estou inserido, a saber, a escola pública (há 17 anos).
Mas a pós-graduação, especialmente a stricto sensu, possui uma exigência interessante: que arranjemos um grupo de pesquisa ao qual se vincular. Normalmente ele estará ligado ao mesmo grupo de quem nosso orientador fizer parte. Contudo, nada impede que pertençamos a um outro grupo.
É necessário compreender a importância de se inserir em um grupo de pesquisa. É no grupo que temos o encontro e a possibilidade de partilhas. Nele é que podemos nos enfocar em temas específicos e, assim, não ficarmos ‘atirando’ pra todos os lados. Com os demais participantes de um grupo aprendemos a estudar e a aprofundar temas bem específicos. Entre eles poderemos estabelecer parcerias para estudos, parcerias de escrita e, quiçá, de outros tipos.
Quando da minha entrada no mestrado, por força (e sem forçação) do meu orientador, passei a fazer parte do grupo de pesquisa Mediações pedagógicas e cidadania – formado por bolsistas de iniciação científica, por mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos (a UNISINOS possui pós-doutoramento em educação com aprovação do MEC). Nele estou até hoje, nalguns momentos com bastante atividades, noutros nem tanto. Nesse grupo aprendi sobre a pesquisa bibliográfica, sobre produção de artigos, sobre editais de fomento à pesquisa, sobre a importância de uma agenda de produção acadêmica, sobre o processo de escrita científica e, sobretudo, a importância de todos estarem juntos, independentemente do título. Aliás, nunca o título ou o diploma deve estar em jogo. Títulos e textos jamais provam alguma coisa. Os atos é que corroboram nossos discursos. Foi a partir dessa minha vinculação que pude participar do tradicional Fórum de Estudos Leituras de Paulo Freire, evento itinerante e gaúcho[iii]; também participei do Colóqui Internacional Paulo Freire, que ocorre em Recife/PE. E, mais importante aos pós-graduandos em educação, participei da ANPED-Sul, em Florianópolis. Além, disso visitei outras cidades como uma espécie de auxiliar de pesquisa de meu orientador. Os aprendizados têm sido enormes.
Recentemente outro grupo de pesquisa, fruto de conversas entre amigos de faculdade, começou a ter contornos reais. Trata-se do Coletivo de Educação Popular e Pçedagogia Social – CEPOPES – coordenado pela professora Dra. Karine Santos, ex-orientanda do professor Danilo Streck. Dele, com muito orgulho, faço parte. Nele, também com bastante orgulho, aprendo muito. Sobre ele, sem menos orgulho, tenho sonhos. Como o nome deixa transparecer, a ideia é mesclar estudos do campo da educação popular com os do campo social. Daqui a pouco, espero e torço, começaremos a notar o surgimento de produções a partir dele.
Se você não está atrelado a um grupo de pesquisa e entende que não é possível ser professor sem pesquisar[iv], apresse-se. Todavia, tenha pressa não porque a academia assim o exige, senão por ser um momento de grandes aprendizagens. Tenha pressa porque quem ganha com a pesquisa é a humanidade. Tenha pressa porque aprender nos remoça e nos embeleza.
Pesquisemos.








[i] Em linhas gerais essa é a defesa que faz Pedro Demo em suas obras quando trata do professor como pesquisador. Segundo esse autor, quando o professor não faz pesquisa só pode dar aula; se pesquisa compartilha conhecimento.
[ii] Recomendo efusivamente esses dois autores – tanto como teóricos quanto como escritores de ficção. Mas particularmente recomento: do Umberto Eco o maravilhoso Seis passeios pelos bosques da ficção; do Ítalo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio – ambas as obras publicadas pela Cia. das Letras.
[iii] Se bem que neste ano, 2016, nos mesmos moldes ocorrerá um evento no estado do Amazonas, sob coordenação da Universidade Estadual do Amazonas.
[iv] Ser professor é ser pesquisador, de Fernando Becker e Tania B. I. Marques e publicado pela Mediação é uma boa dica para se iniciar no tema (sabendo-se que a obra trata da teoria piagetiana). 

O PORQUÊ DO BLOG

Levi Nauter


O principal objetivo deste blog é disponibilizar algumas reflexões sobre a minha caminhada rumo ao título de doutor. Não há nenhuma novidade no que estou fazendo. Talvez, se houver alguma, é o fato de eu tentar expor anotações de aula; por exemplo, de sugestões de leituras dos professores e professoras em sala de aula. Desejo fazer essa lista em três categorias: (1) na graduação, (2) no mestrado e (3) no doutorado. O desejo é que esse espaço também sirva para daqui extrair os cansativos relatórios exigidos daqueles que detêm bolsa de estudos (meu caso).
É importante dizer que o blog provavelmente terá mais serventia a mim, como forma de organização dos pensamentos, das ideias. Terá função terapêutica, portanto.
Mas será importante (e até reconfortante) ler comentários aqui. Terei ido além do que imagino se haver utilidade a outros estudantes o que aqui registrarei.
Aos eventuais leitores, sejam bem-vindos.