Levi Nauter
Há
vários ditos populares acerca do número ordinal. Não é difícil ouvir coisas do
tipo “a primeira vez a gente nunca esquece”, “a primeira impressão é a que
fica” – entre outros. Acrescento que o primeiro baque a gente também nunca
esquece.
No
segundo semestre de 2015, prestei provas à seleção de doutorado da UNISINOS. Um
tempo depois recebi a notícia que me habilitava à entrevista com alguns
professores dessa instituição. Mais alguns meses e me chegou a notícia da
aprovação. Ainda mais adiante, já em 2016, a informação de que fora contemplado
com uma bolsa de estudos, o que me isentaria de qualquer tipo de taxa/valor. Feliz
com a notícia, aproveitei as férias com a esposa e a filha. Tirei um bom tempo
para leituras, essencialmente li bastante material relativo ao tema que vem me
movendo para a pesquisa.
O
mês de março foi fecundo com os dois grupos de pesquisa dos quais faço parte.
No entanto, minha ansiedade era de tal modo grande que não via a hora de
iniciar os estudos oficialmente no doutorado.
Mas
eis que chegou abril. Com ele veio a mudança de escola. Com o objetivo de dar
conta das demandas, saí de um lugar com 300 alunos passei a trabalhar numa com
1300 e com três turnos. E depois de estrear na nova escola, dirigi-me a
UNISINOS. Era a semana acadêmica – evento no qual os “antigo” dão boas-vindas
aos novos estudantes. Pela manhã uma palestra bem interessante com a professora
Traversini[1]
- em que pese a linguagem por vezes ter sido foucaultiana demais. A referida
palestrante ganhou mimos, foi aplaudida. Mas os doutorandos foram orientados a
aguardarem no auditório para uma breve reunião.
Todos
devidamente sentados. Caderno e caneta na mão. As bolsas de estudos haviam sido
cortadas. Desse momento em diante como que saí de mim.
A
partir daquele instante nada mais parecia interessar. Os três egressos que
palestraram, soavam-me como se falassem ao vento. A exceção foi a Juliane Morgenstern,
provavelmente pela surpresa que tive de vê-la dizendo o que tinha a dizer
dentro do tempo estipulado (algo que precisamos aprender). No dia seguinte não
participei das atividades matutinas. Fiquei em casa ‘matutando’. À tarde
reuni-me com outros colegas numa assembleia de alunos. Foi uma interessante
experiência. Ainda assim estava meio longe.
Ao longo daqueles dias meus pensamentos
fervilhavam e trilhavam uma série de caminhos. Teria sido em vão os momentos
que me dedicara a estudar na praia? E todo o trabalho que me deu ter de trocar
de escola, de horário e de turno? O que diria à minha filha, já que havia lhe
dito que não mais a buscaria na escola? Teria de refazer toda a seleção (de
bolsa e de ingresso no doutorado) no ano seguinte? O projeto sobre o qual me
dediquei visando à aprovação seria aceito sem alterações por outro PPG? E minha
mulher que, junto comigo, comemorou minha aprovação? O que iria ler para alguma
seleção que abrisse, por exemplo, no mês que vem? Nada mais importava naquele
evento preparado com tanto carinho, inclusive por ex-colegas de mestrado. Foram
dias de angústia.
Mas ontem, dia 13-04-16, veio a boa-nova: as
bolsas foram ‘devolvidas’. Houve justiça a um PPG que tem, desde 2008, a marca
da excelência. Seria injusto com um dos poucos PPGs nota 7 no país. Seria injusto
com um PPG que sempre cobrou dos orientandos a observação rigorosa dos prazos.
O alívio foi maravilhoso!
Contudo, a situação política que vivemos ainda
nos deixa em estado de alerta.
O que virá por aí? O que nos aguarda?
Espero que seja apenas arranjar tempo pra
estudar.
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