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quinta-feira, 14 de abril de 2016

O PRIMEIRO BAQUE

Levi Nauter




Há vários ditos populares acerca do número ordinal. Não é difícil ouvir coisas do tipo “a primeira vez a gente nunca esquece”, “a primeira impressão é a que fica” – entre outros. Acrescento que o primeiro baque a gente também nunca esquece.
No segundo semestre de 2015, prestei provas à seleção de doutorado da UNISINOS. Um tempo depois recebi a notícia que me habilitava à entrevista com alguns professores dessa instituição. Mais alguns meses e me chegou a notícia da aprovação. Ainda mais adiante, já em 2016, a informação de que fora contemplado com uma bolsa de estudos, o que me isentaria de qualquer tipo de taxa/valor. Feliz com a notícia, aproveitei as férias com a esposa e a filha. Tirei um bom tempo para leituras, essencialmente li bastante material relativo ao tema que vem me movendo para a pesquisa.
O mês de março foi fecundo com os dois grupos de pesquisa dos quais faço parte. No entanto, minha ansiedade era de tal modo grande que não via a hora de iniciar os estudos oficialmente no doutorado.
Mas eis que chegou abril. Com ele veio a mudança de escola. Com o objetivo de dar conta das demandas, saí de um lugar com 300 alunos passei a trabalhar numa com 1300 e com três turnos. E depois de estrear na nova escola, dirigi-me a UNISINOS. Era a semana acadêmica – evento no qual os “antigo” dão boas-vindas aos novos estudantes. Pela manhã uma palestra bem interessante com a professora Traversini[1] - em que pese a linguagem por vezes ter sido foucaultiana demais. A referida palestrante ganhou mimos, foi aplaudida. Mas os doutorandos foram orientados a aguardarem no auditório para uma breve reunião.
Todos devidamente sentados. Caderno e caneta na mão. As bolsas de estudos haviam sido cortadas. Desse momento em diante como que saí de mim.
A partir daquele instante nada mais parecia interessar. Os três egressos que palestraram, soavam-me como se falassem ao vento. A exceção foi a Juliane Morgenstern, provavelmente pela surpresa que tive de vê-la dizendo o que tinha a dizer dentro do tempo estipulado (algo que precisamos aprender). No dia seguinte não participei das atividades matutinas. Fiquei em casa ‘matutando’. À tarde reuni-me com outros colegas numa assembleia de alunos. Foi uma interessante experiência. Ainda assim estava meio longe.
Ao longo daqueles dias meus pensamentos fervilhavam e trilhavam uma série de caminhos. Teria sido em vão os momentos que me dedicara a estudar na praia? E todo o trabalho que me deu ter de trocar de escola, de horário e de turno? O que diria à minha filha, já que havia lhe dito que não mais a buscaria na escola? Teria de refazer toda a seleção (de bolsa e de ingresso no doutorado) no ano seguinte? O projeto sobre o qual me dediquei visando à aprovação seria aceito sem alterações por outro PPG? E minha mulher que, junto comigo, comemorou minha aprovação? O que iria ler para alguma seleção que abrisse, por exemplo, no mês que vem? Nada mais importava naquele evento preparado com tanto carinho, inclusive por ex-colegas de mestrado. Foram dias de angústia.
Mas ontem, dia 13-04-16, veio a boa-nova: as bolsas foram ‘devolvidas’. Houve justiça a um PPG que tem, desde 2008, a marca da excelência. Seria injusto com um dos poucos PPGs nota 7 no país. Seria injusto com um PPG que sempre cobrou dos orientandos a observação rigorosa dos prazos. O alívio foi maravilhoso!
Contudo, a situação política que vivemos ainda nos deixa em estado de alerta.
O que virá por aí? O que nos aguarda?
Espero que seja apenas arranjar tempo pra estudar.







[1] A professora Dra. Clarice Salete Traversini é docente na Faced/UFRGS.

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